Relacionamentos

Comunicação assertiva: o caminho entre engolir e explodir

Angelica Palmezano
Angelica Palmezano Psicóloga Clínica · CRP 06/202336
4 min de leitura
Casal conversando alegremente em um ambiente agradável

Tem uma cena que se repete em muita relação. Alguém incomoda a gente, mas ficamos quietos para não criar caso. O incômodo não some, vai se juntando por baixo. Até que um dia, por causa de uma bobagem, tudo transborda de uma vez, e a reação sai muito maior do que a situação pedia. Aí vem a culpa, e no fim a gente volta a se calar, começando o ciclo de novo.

Esse vaivém entre engolir e explodir aparece no trabalho, em casa e na família. E existe um outro jeito de se posicionar, que não passa nem por um extremo nem pelo outro. É o que se chama de comunicação assertiva.

Três jeitos de reagir

Diante de um conflito, a gente tende a cair em um de três estilos. No passivo, a pessoa se cala e engole o que sente para manter a paz, e vai acumulando ressentimento. No agressivo, ela se impõe atropelando o outro, com acusação e ironia, e costuma afastar justamente quem queria por perto. Esses dois parecem opostos, mas muitas vezes são o mesmo problema em fases diferentes: quem engole demais um dia estoura.

O estilo assertivo fica no meio. É conseguir dizer o que se sente e o que se precisa com clareza e firmeza, sem se anular e sem passar por cima da outra pessoa. O outro pode continuar discordando, e ainda assim a conversa acontece num tom completamente diferente.

O que trava a gente

Se a saída assertiva é tão melhor, por que é tão difícil? A TCC ajuda a enxergar que, atrás do silêncio ou da explosão, quase sempre há uma crença antiga operando.

Quem tende ao passivo costuma carregar ideias como "se eu discordar, vão me rejeitar", "meus sentimentos não são tão importantes", "conflito é perigoso". Quem tende ao agressivo muitas vezes sente que precisa atacar antes de ser atacado, ou que ceder é sinal de fraqueza. Essas crenças foram aprendidas em algum momento, geralmente cedo, e rodam no automático sem que a pessoa perceba. Examiná-las, e testar se elas ainda fazem sentido hoje, é parte central do trabalho.

Como sair do automático

Na prática, um dos ajustes mais poderosos é a forma da frase. Trocar o "você" acusatório pelo "eu" que descreve. "Você nunca me ajuda" coloca o outro na defensiva na hora. "Eu tenho me sentido sobrecarregada e preciso dividir isso" abre uma conversa. A ideia é falar do comportamento específico e do próprio sentimento, em vez de rotular a pessoa inteira.

Pense em Camila, que sempre acaba cobrindo o trabalho dos colegas e nunca diz não. Ela engole, engole, e um dia responde um pedido banal com uma grosseria que assusta todo mundo, inclusive ela. Se, semanas antes, tivesse conseguido dizer "hoje não vou conseguir assumir isso", com calma e sem pedir desculpas por existir, o ressentimento não teria chegado a esse ponto. Assertividade não é um traço de personalidade que se tem ou não se tem. É uma habilidade, e como toda habilidade, se treina aos poucos.

Ser assertivo, é bom lembrar, não controla a reação do outro, que pode não gostar de ouvir um não. E há contextos genuinamente hostis onde a franqueza precisa de cautela. Ainda assim, aprender a se posicionar sem se apagar nem agredir costuma transformar relações que pareciam sem saída, e é o tipo de habilidade que a terapia ajuda a treinar com calma. No fundo, é devolver à própria voz o direito de também contar.

Vamos conversar sobre isso?

Cada processo terapêutico é único. Estou aqui para te ajudar a compreender seus padrões e construir mais equilíbrio emocional.

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Angelica Palmezano
Angelica Palmezano

Psicóloga Clínica especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC). Atua com abordagens baseadas em evidências científicas.